segunda-feira, 5 de março de 2012

A nossa luta pela transposição - capítulo 2

A transposição do rio São Francisco, assunto que vem enchendo páginas de jornais e gerando polêmicas enormes tem como pontos principais de discussão os objetivos finais da água, a não existência de uma atitude séria visando a revitalização do rio, e um monte de problemas resultantes das obras e após as obras.
Para informação dos senhores, minha gente, a obra consiste em retirar água do rio São Francisco e colocá-la em bacias da parte norte do nordeste brasileiro, enchendo açudes e barragens e perenizando rios dos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, através da construção de  600 km de canais em concreto e diversos bombeamentos para atingir níveis mais altos, formando os chamados eixo norte e eixo leste..
O custo inicial do projeto é da ordem de 6,8 bilhões de reais ( acreditem!!!!!!), e a água destina-se 70 % para irrigação ( é aí que tá o pepino), 26 % para uso industrial e apenas 4 % para uso de população difusa.Ou seja, observem que, na verdade, os grandes grupos empresariais que exploram a agricultura irrigada serão os maiores beneficiários.
Observem os estados: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. E a nossa Bahia? Absolutamente nada .
Temos problemas graves na região de Mirorós( Rio Verde e Rio Jacaré), na região de Irecê. Temos escutado reclamações e mais reclamações de toda a comunidade ( bem grande , por sinal) e de pessoas ligadas aos Comités Gestores das Bacias, gritando por providencias urgentes em relação à adutora projetada para levar água do rio São Francisco até a Barragem de Mirorós.
Aqui na nossa região estamos sofrendo com a qualidade do resto de água da Barragem João Durval Carneiro , rio de Jacuipe, com seu leito seco à jusante da barragem e seco também à montante, logo após sair da concha do lago. A pequena vazão liberada pela Barragem do França não consegue chegar nem à pequena Barragem de Morrinhos , muito menos chegar ao início do lago. A Barragem do França, primeiro ponto de acumulação das águas do Rio de Jacuipe, após o grande salto da cachoeira do Ferro Doido ( vamos falar muito dela..!!!!), não está tendo um milímetro cúbico de reposição das suas águas a um bom  tempo.
A Barragem de Pedras Altas, situada no Rio Itapicuru -Mirim, destinada a suprir parte da região sisaleira e a maior parte dos municípios do Território do Jacuipe e alguns do Território do Piemonte da Chapada, também não tem a reposição esperada das suas águas , em função da irregularidade das chuvas que alimentariam e engrossariam as suas nascentes.
Como se pode ver, minha gente, os dois maiores e importantes rios do centro norte do estado sofrem e agonizam, não conseguindo fazer com que os seus leitos levem o mais precioso bem a todas as terras que atravessam ou no mínimo, encher ou manter com um nível satisfatório os reservatórios que permitem às populações de uma parte significativa do estado da Bahia ter  acesso á água e que os nossos rebanhos possam também contar com uma fonte segura de água para matar a sua sede.
O primeiro grande objetivo de qualquer concentração humana desde a pré-história até os dias de hoje é estar perto de uma fonte confiável de água que sirva para o abastecimento humano e animal.
E isso, nos impele com um simples pensamento á pergunta crucial: TEMOS UMA FONTE SEGURA, PERMANENTE E CONFIÁVEL DE ÁGUA EM NOSSA REGIÃO ?

Com as alterações climáticas que acompanhamos em nosso tempo será que os nossos rios temporários, que abastecem os nossos grandes reservatórios regionais podem ser chamados de fontes seguras de reposição de águas?    Todos vão convir que não.
Levantamos os olhos para o mapa, divagamos olhando para um futuro não longínquo e a resposta vem imediata: Cuidemos imediatamente do rio São Francisco, desencavemos projetos e mais projetos nunca realizados que tratam da sua revitalização porque, para a nossa região semi-árida do estado da Bahia , ele se constitui na ÚNICA FONTE SEGURA, PERMANENTE E CONFIÁVEL DE ÁGUA PARA AS NOSSAS FAMÍLIAS, NOSSAS COMUNIDADES, NOSSOS REBANHOS, NOSSA AGRICULTURA FAMILIAR , NOSSA GERAÇÃO DE RENDA.

Daí, minha gente, é fácil entender porque precisamos iniciar essa luta. A grande guerra do futuro será pela água. Precisamos dela fundamentalmente para as nossas vidas e ela está alí, bem ao alcance do "beiço", um tiquinho de léguas com um monte no meio. Vamos buscá-la.
Na próxima publicação, começaremos a mostrar como, na prática, poderemos iniciar a sensibilização dos nossos governantes, a partir do nível municipal, chegando á Assembléia Legislativa, Governo Estadual e posteriormente, vamos também sensibilizar os nossos representantes federais, pois a obra, em função do que conhecemos da transposição para os outros estados do Nordeste, é difícil, mas não impossível.

VAMOS TRAZER ÁGUA DO RIO SÃO FRANCISCO PARA O RIO DE JACUIPE E PARA O RIO ITAPICURU,  ou vamos passar um, bocado de tempo aporrinhando os ouvidos de um bocado de gente.

Fiquem com Deus.

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